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O QUE É ANEURISMA CEREBRAL ?
O aneurisma cerebral é uma dilatação da parede das artérias
cerebrais resultante de uma fragilidade local, pela ausência
de uma camada muscular. O fluxo de sangue exerce pressão
sobre ela, formando uma espécie de saco ou bolha. O fluxo
anormal no interior desta bolha provoca ondas de pressão
nestas paredes frágeis, provocando ruptura com
consequentemente hemorragia cerebral. |
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Aneurisma não roto |
Aneurisma roto |
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QUEM TEM ANEURISMA CEREBRAL?
Dois a 5% da população mundial é portadora de um aneurisma cerebral e
destes, perto de 20%, apresenta múltiplos. A manifestação clínica
aparece geralmente na idade adulta, com pico entre 55 e 60anos, sendo
raros na infância. A maioria é congênita e o acometimento de membros de
uma mesma família não é freqüente. O risco de hemorragia cerebral é de 1
a 2% ao ano, mas com taxas de mortalidade de até 50%.
QUAIS SÃO OS TIPOS DE ANEURISMA INTRACRANIANO?
Existem vários tipos de aneurismas e em todos a manifestação clínica
principal é a hemorragia cerebral.
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a) Aneurisma sacular ou congênito: É o
aneurisma mais freqüente e se origina a partir da fragilidade na
parede arterial. A maioria se localiza na bifurcação das artérias
cerebrais de tamanho médio. Este aneurisma é classificado quanto
ao tamanho em pequeno (até 12mm), grande (12 a 24mm) e gigante
(acima de 24mm). |
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Aneurisma sacular
topo da artéria basilar |
Aneurisma gigante
da artéria basilar |
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b) Falso aneurisma ou pseudoaneurisma: É assim
chamado porque contém paredes falsas, surgindo quando ocorre ruptura
arterial com formação de hematoma extra-vascular. Quando o hematoma é
absorvido, seu espaço é ocupado por sangue através da ruptura arterial,
sendo protegido por uma pequena cápsula de tecido conjuntivo.
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c) Micótico: É decorrente de um processo
inflamatório da parede das artérias, gerado por êmbolo infeccioso à
distância (a endocardite bacteriana é a fonte mais freqüente),
provocando uma fragilidade vascular com a formação de um saco
aneurismático fusiforme, que envolve toda a parede arterial, não
havendo a presença de colo como se observa nos aneurismas saculares. |
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Aneurisma micótico da artéria cerebral anterior |
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d) Fusiforme: Trata-se de dilatação
sacular da própria artéria, não existindo colo bem definido. A
localização mais freqüente é no segmento intracraniano da artéria
vertebral.
e) Aterosclerótico: São dilatações
arteriais provocadas por lesão e enfraquecimento do tecido
conjuntivo das artérias, ocasionando extensas dilatações que podem
provocar dissecções e rupturas destas paredes.(sitean9.jpg -
aneurisma aterosclerótico da artéria basilar) |
Aneurisma fusiforme da artéria vertebral |
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QUAIS SÃO OS SINTOMAS TÍPICOS?
Os sintomas mais comuns são os decorrentes da hemorragia cerebral
causada pela ruptura do aneurisma. Apresenta-se de maneira repentina com
forte dor de cabeça, vômitos e rigidez de nuca, podendo diminuir o nível
de consciência até ao coma e mesmo a morte. Metade dos pacientes
apresentam pequenas hemorragias "sentinelas", cerca de trinta dias antes
da ruptura, com quadros de forte cefaléia, sem outras manifestações
neurológicas e que desaparece em alguns dias. A investigação para
detectar a presença do aneurisma nesta época, poderá salvar a vida do
paciente.
O aneurisma que não se rompe é assintomático, exceto os que pelo seu
tamanho, exercem compressão sobre estruturas cerebrais vizinhas.
A hemorragia cerebral é fatal para 15% dos pacientes antes de chegar ao
hospital. Cinqüenta por cento morrerão nos 30 dias seguintes ao quadro e
outros 30% correm o risco de ter outro sangramento.
Em geral, o sangramento envolve as artérias da base do cérebro e provoca
sua contração (vasoespasmo), reduzindo o fluxo de sangue para os
tecidos, induzindo a isquemia e a morte celular.
A morbidade global da ruptura de um aneurisma intracraniano pode chegar
a 70%, tratando-se portanto, de uma urgência médica . Os pacientes
deverão ser encaminhados ao pronto socorro de instituição hospitalar que
tenha condições suficientes para diagnóstico, tratamentos cirúrgico e
endovascular, além de unidade de terapia intensiva neurológica para
cuidar das complicações decorrentes da hemorragia.
Para orientar o tratamento e o prognóstico o estado neurológico e a
quantidade e localização do sangramento são fatores determinantes.
O tratamento do aneurisma e suas complicações deverá ser instituído o
mais rápido possível, para evitar o risco de ressangramento, o
agravamento neurológico e para o tratar o vasoespasmo de maneira mais
eficaz.
Alguns aneurismas são descobertos durante a realização de uma tomografia
computadorizada ou ressonância magnética do crânio, requisitadas para
pesquisar outros problemas neurológicos, sendo chamados aneurismas
incidentais. Seu tratamento envolve ampla explanação entre o paciente e
o médico para a melhor indicação do tratamento.
QUANDO E COMO DEVEM SER TRATADOS OS ANEURISMAS
CEREBRAIS?
Em razão da gravidade da hemorragia cerebral provocada pela ruptura do
aneurisma cerebral, o tratamento deverá ser realizado o mais precoce
possível. A rápida intervenção elimina o risco de ressangramento que
atinge até 30% nos primeiros 3 dias e trata de forma mais agressiva as
conseqüências da hemorragia, principalmente a hidrocefalia aguda que
provoca a hipertensão intracraniana e o vasoespasmo das artérias
cerebrais que induz a isquemias irreversíveis.
Existem duas formas de tratamento, a cirurgia convencional que consiste
na abertura do crânio com a colocação de clipe metálico na base do
aneurisma e a embolização endovascular que não necessita da abertura do
crânio e pode ser realizada com sedação. Esta técnica consiste na
oclusão do saco aneurismático com micro-molas (coils) de platina
conduzidas através de micro-cateteres introduzidos por uma punção da
artéria da virilha (artéria femoral).
A cirurgia convencional na fase aguda provoca piora neurológica em
aproximadamente 20% dos pacientes em razão da oclusão temporária das
artérias e pela retração do cérebro durante o ato operatório. Nos casos
neurológicos mais graves, o insucesso é maior. A cirurgia realizada
tardiamente, após a 14a semana, põe em risco o sucesso do tratamento em
virtude da possibilidade de ressangramento e das conseqüências
isquêmicas do vasoespasmo que ocorre entre o 3o e 15o dia do inicio do
quadro.
A embolização endovascular consiste na navegação através das artérias,
podendo ser realizada em qualquer período após a hemorragia, pois não
interfere na fisiologia cerebral e não manipula estruturas cerebrais. O
tratamento pode ser realizado logo após o diagnóstico angiográfico,
durante o mesmo procedimento e com qualquer grau de gravidade
neurológica. É indicação formal para pacientes acima de 65 anos e para
aqueles que tenham algum outro comprometimento clínico (cardíacos,
renais crônicos, etc.).
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Inicial |
Fase final |
Exclusão do aneurisma da circulação arterial.
Preservação da artéria que lhe dá origem. |
Todos os aneurismas intracranianos são tratáveis por
via endovascular e somente os dados fornecidos pela angiografia poderão
contra-indicar a utilização deste procedimento. Hoje no mercado existe o
mais variado e sofisticado material para a intervenção endovascular que
permite tratar aproximadamente 95% dos aneurismas intracranianos.
A tratamento endovascular baseia-se na oclusão do saco aneurismático,
mantendo-se pérvia a artéria portadora, isto é, a artéria que lhe dá
origem. É de fundamental importância durante o tratamento que se observe
a relação entre o colo (abertura da artéria que da origem ao aneurisma)
e o lúmen da artéria portadora, não importando a morfologia, o tamanho e
a localização dele. Nos aneurismas de colo largo, isto é, com sua
entrada igual ou maior que o saco aneurismático, podemos utilizar
pequenos balões para ocluir provisoriamente o colo, impedindo que as
micro-molas invadam a artéria portadora no momento que elas estão sendo
introduzidas. Outras aneurismas , como os fusiformes, o colo não existe,
sendo necessária uma técnica combinada com a colocação de um "stent" que
cobre o aneurisma e através de suas malhas, introduz-se um microcateter
para a deposição de micromolas. O stent impede que as molas invadam o
leito arterial e reconstroe o segmento arterial adjacente.
Para aneurismas gigantes pode-se utilizar a mesma técnica dos aneurismas
fusiformes ou então realizar a oclusão do aneurisma e da artéria
portadora de maneira simultânea.
O nosso serviço já tratou 300 aneurismas através da técnica
endovascular, obtendo oclusão total em 90%, oclusão parcial (acima de
95% do saco aneurismático) em 5%. Cinco por cento dos aneurismas não
puderam ser tratados. Nossas complicações decorrentes da técnica
endovascular são de 5%.
Alguns aneurismas podem se recanalizar parcialmente e uma nova sessão de
tratamento pode ser realizada para obter-se a oclusão total. Não ocorreu
nenhum ressangramento, mesmo nos aneurismas tratados parcialmente.
O custo do procedimento é ligeiramente mais elevado e por vezes
equivalente ao da técnica neurocirúrgica, pois a permanência na UTI e no
hospital é muito curta. Pacientes que apresentam bom quadro neurológico
ou que tenham ultrapassado o risco das complicações da hemorragia
poderão receber alta hospitalar em 24 ou 48 horas.
O nosso serviço é composto por profissionais qualificados para tratar
qualquer tipo de aneurisma 24 horas por dia .O paciente é tratado logo
após a sua chegada ao hospital, sendo encaminhado para uma Unidade de
Terapia Intensiva Neurológica, composta por profissionais especializados
em doentes neurológicos graves, com todo suporte clínico, laboratorial e
radiológico.
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