
Filhos gays
Por
Celia Svevo
Seu
filho se comporta de forma diferente de outros jovens da mesma idade. Você
desconfia que ele é homossexual, mas não tem certeza. E agora, o que
fazer?
- Um
caminho difícil
- E agora, o que fazer?
Em geral não
é fácil - para os pais e filhos - encarar a homossexualidade, ou seja, o
desejo sexual, emocional e amoroso por uma pessoa do mesmo sexo. Por mais
que se proclamem despidas de preconceitos, as famílias relutam, num
primeiro momento, em encarar a verdade.
Segundo o psicólogo Klecius Borges, de São Paulo, especializado no
assunto, há evidências de que fatores genéticos, biológicos e ambientais
podem contribuir para o homossexualismo. "O desejo homossexual é
espontâneo e involuntário. Não se trata de escolher", ele garante.
Apesar de haver relatos da percepção homossexual muito precoce, já aos 5
ou 6 anos de idade, é na adolescência que ela se torna mais forte.
Dependendo do ambiente em que circula, o jovem tende a se sentir
encurralado pelo preconceito, pela culpa, pelo temor da rejeição e pela
tortura de ter que esconder esse segredo da família e dos amigos. O
sentimento de vergonha é muito comum! E quando, finalmente, consegue expor
sua orientação sexual, em geral já está num processo avançado de auto-aceitação.
Um
caminho difícil
Quando os pais
descobrem que seu filho é gay é natural que reajam mal. Além dos
preconceitos sociais, começam a se defrontar com os estereótipos
relacionados a esse grupo, percebem-se frustrados diante das próprias
expectativas e, muitas vezes se perguntam: "onde foi que eu errei?"
"A primeira defesa é negar o fato", afirma Klecius. E essa negação se
materializa por meio de múltiplas reações: meu filho está fazendo isso de
propósito para me enlouquecer! A culpa é do fulaninho que brincava com
ele! "Diante do desespero, os pais chegam a ter atitudes até violentas,
tanto físicas quanto emocionais", ele conta.
Para os filhos, o sofrimento maior diz respeito à auto-aceitação, à
dificuldade de carregar uma culpa por não ter sido capaz de cumprir
expectativas familiares e sociais. Nessa fase, o risco maior é o do
afastamento: as relações tornam-se superficiais, revestidas de segredos,
mentiras e dissimulação, gerando um grande desconforto na dinâmica
familiar.
E agora, o que fazer?
A partir do
momento em que o jogo de mentiras deixa de existir, reagir contra é a
política menos construtiva. Agora, o mais importante é definir a conduta
adequada para ajudar seu filho. Você sabe pouco sobre homossexualismo?
Então está na hora de aprender mais!
Acima de tudo, trate de acolhê-lo com carinho, demonstre todo o seu amor e
procure aceitá-lo. Abra mão dos preconceitos e convença-se de que ser gay
não é ser ou estar doente e, principalmente, que isso não tem volta (desde
1973 a American Psychiatric Association não considera a homossexualidade
doença). Tente compartilhar com outros pais os sentimentos que está
vivenciando e procure desmistificar o universo gay, despindo-o de todo o
folclore que o cerca.
Se o seu filho não quiser se abrir, respeite sua privacidade. E se vocês
chegarem - pais e filhos - à conclusão de que precisam de ajuda para lidar
com essa questão, uma psicoterapia poderá ser de grande auxílio.
E siga o conselho de Klecius Borges: se seu filho está quieto e tentando
não revelar a homossexualidade, não insista. Ou prepare-se muito bem para
essa conversa, que poderá lhe soar indigesta.
Leia mais sobre
esse assunto:
Homossexualismo e
Transxualismo - Saiba a diferença
Consultoria: Klecius Borges, psicólogo em São Paulo, faz
aconselhamento para gays, lésbicas e bissexuais. E-mail:
kborges@uol.com.br